(Source: the-zombie-of-dark, via perfeita-nostalgia)


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"Não conversava com estranhos na rua, não escutava música brasileira, odiava bala de canela, e o amor me chamou três vezes.

De vez em quando eu gostava de sair de casa, gostava de olhar o modo das pessoas, e dar comida para os cachorros de rua. Observava tudo, questionava muitas coisas e nunca me dei conta de que eu podia ser a errada da vida. Passei muito tempo da minha vida querendo entender as pessoas, querendo buscar um significado para tudo. Gostava de dormir até tarde, acordar, toma café e almoçar. Só que nesse dia foi diferente, olhei no relógio, 10:10, e foi a primeira vez que eu encontrei o amor. Nunca fui do tipo que acreditava em tudo, sempre me apeguei a uma religião só, e nunca se quer pensei em mudar de ideia. Ás vezes pensava em virar cantora, atriz, garota de propaganda, alguma coisa que eu me envolvesse. Pensava na chuva todos os dias, e o modo como ela me acalmava era esplendido. Mas me deixe seguir em frente, preciso te mostrar como o amor aparece. Segunda-feira, eu acordei 06:06, estava atrasada para ir para a escola, peguei um lanche, um café meio amargo e fui de carona. Sintonizei meu rádio em 91.3, e o refrão da música simples dizia “Porque eu sei que é amor, eu não quero nada em troca. Porque eu sei que é amor e nenhuma palavra importa.” Ainda consigo ficar indignada de como músicas brasileiras podem ser ridículas e sem graça. Como assim palavras não importam? Pra mim sempre importou, importou muito, mas com o tempo eu percebi que estava errada. Ás vezes eu ficava com vontade, e dessa vez eu queria um churros. Minha mãe estava comigo em todas as fazes difíceis da minha vida, ela sempre foi meu porto seguro, mas dessa vez ouve briga. Entenda.
“Mãe, onde a senhora guardou o meu dinheiro?”
“Para que?”
“Quero churros.”
“De doce de leite aposto.”
“Sim, onde tá?”
“Não tem mais dinheiro.”
“Como?”
“Acabou.”
“Por quê?”
“Precisava pagar contas.”
“E meu pai?”
“Ele não me dá mais dinheiro, você sabe.”
“Não eu não sei, esse é o dever dele.”
“Mas nem sempre fazemos o certo, querida.”
“Péssimo gosto.”
“O que?”
“Péssimo marido, péssimo amor, essa droga toda.”
Minhas ultimas palavras, então eu bati a porta do quarto e voltei a observar. Tinha uma caixinha preta de lembranças que eu sempre guardava de baixo da cama da minha mãe, eu a peguei e fui chorar um pouco. Ouvia Beatles e nunca entendi o porquê o amor tinha que ser a coisa mais difícil de encontrar. Naquela noite eu chorei muito, vendo fotos do meu pai distante, minha mãe quase fracassada e eu, só um pedacinho de gente ainda. No dia seguinte levantei em um animo diferente, o brilho do meu olhar não era o mesmo. Dessa vez, como de costume, eu entrei em um ônibus. Do meu lado tinha um garoto que sempre sentava comigo, ele era meio diferente, seu cabelo ao invés de estar jogado para o lado, havia sido cortado de uma forma decente, seu sorriso não era o mais bonito, ele nunca falou comigo, mas às vezes ele me olhava a viagem toda. Não sei por que tenho essa aversão a estranhos, talvez minha mãe tenha me criado assim desde pequena, “filha, não aceite balas e não responda os comprimentos.” Cresci assim, meio arisca, meio rude, às vezes era legal. Um dia no mesmo ônibus, me permita pular um pouquinho à história, aquele garoto me deu bom dia, duas semanas depois ele perguntou o meu nome, e agora conversamos todos os dias. Não sei se isso importa mais o nome dele é Lucas, e o sorriso dele é o mais bonito do mundo. Posso dizer que eu estava apaixonada naquela época, mas quando se tem apenas um amor na sua vida, não é possível distinguir se ele será o melhor para você. Um dia sai para andar a tarde, melhor dizendo, eu sai para reparar a tarde. Vi naquele dia as pessoas como bandos. Tinha o bando daqueles que foram expulsos de casa, usavam drogas, ou algo do tipo. Tinha o bando dos desocupados, que se eu não me entretece tanto em não fazer nada, provavelmente estaria lá. Estava com meus fones de ouvido, ouvindo Beatles, e quando não estava observando, estava lendo. Lia um livro chamado “O morro dos ventos uivantes” meu livro predileto, eu posso dizer. Esses dias eu estava apaixonada pelo bonitão da sala. Mas ele sempre viu as outras garotas como objetos, e nunca me viu. Eu passava do seu lado e sentia meu corpo inteiro arder em chamas, e ele olhava para a bunda da menina que andava na minha frente. Certo ele, eu sempre pensei, é bonito, gostoso, legal, inteligente, tem tudo para ser galinha. Um galinha de primeira. Eu sempre admirei a capacidade que tinha de me apaixonar por idiotas, era quase uma coisa sem saída. O sinal finalmente tocou, e eu sai as pressas. – esqueci de dizer que estava na escola ? Sim, eu estava. - hora de ir embora, entrei no ônibus. Lucas estava lá me olhando, como sempre. A diferença é que já havia se passado um ano, e agora éramos amigos. Fomos conversando a viagem toda, falamos de chá, de livro, de estudo, de filme, de dinheiro, questionamos o poder do Barack Obama, e rimos muito, pois em algumas vezes falávamos coisas tão sem sentido, que nem um dos dois se dava conta do que estava falando. Na hora de me despedir ele pegou na minha mão, um gesto muito delicado e sussurrou “até amanhã.” Acho que essa foi a segunda vez que o amor apareceu para mim. Cheguei em casa cansada exausta, e confusa. Porque temos que escolher entre duas coisas, quando ficar com as duas seria perfeito? Acho que o Lucas gostava de mim, mas era muito cedo para dizer. O amor e o ódio traçam uma linha tênue. A paixão é um sentimento traiçoeiro, pois em sua maioria é regado de ilusões e ciúmes. Tenho que confessar que muitas vezes fui levada pela onda súbita de acreditar em palavras vazias, coisas que existiam somente para mim. Observe como a vida é engraçada, essa noite eu sonhei com um menino que eu no máximo sei o nome, admiro-o de longe, não quero me apaixonar mais uma vez. Só eu sei o quanto machuca, o quanto me sinto culpada toda a vez que me permito cometer tal atrocidade novamente. Mas parece que quando não estou afim do amor, ele resolve aparecer na minha frente. Bate na porta, na porta da alma, da mente. Não gosto de quebrar as coisas, mesmo quando essas coisas são corações ou promessas. Preservo-as, até o meu limite, só Deus sabe o quanto é difícil. Tenho uma péssima mania de me apaixonar por pessoas fúteis, o mais bagunceiro da sala, o metido do corredor, aquele que se quer sabe que eu existo. Aquele que no fundo eu odeio simplesmente por ele existir. Já apaguei diversas mensagens, inúmeros números, tentei esquecer várias conversas que tive em uma dessas madrugadas nostálgicas, tudo em vão. Torturo-me ao pensar que posso me conter, me controlar. A verdade é que eu sou uma boba mesmo, leio poemas ao invés de ir para baladas, ouço músicas clássicas ao invés de passar noites em claro com musicas eletrônicas na mente, admiro olhares, sorrisos, gestos, e nem se quer me importo com as consequências, Tola, tão tola. Fico em casa assistindo filmes românticos que me deixam iludida, imagino o príncipe, o meu príncipe. Será que em algum dia vou encontrar alguém que me ame com todos esses defeitos, essas manias. O será é apenas mais uma de todas essas incógnitas que eu carrego sobre a face, a dúvida da vida. Preciso desmascarar-me, sou frágil, sou simples, sou altamente magoável. Escrevo esse texto apaixonada, ressentida, posso sentir meu coração dolorido a porta do desespero. Acho que ando amando, amando e não é pouco. Pena que não existe uma lei em que obrigue as pessoas a nos amar de volta, uma pena, claro. Poderia simplesmente encerrar e dizer que estou bem, que sou forte e que você também pode ficar, mas é mentira. Você também vai cair, vai sofrer, vão quebrar seu coração, porém com o tempo ele se reconstruíra sozinho, tenha calma. Mas cuidado, imploro, cuidado. Observe bem por quem você vai se apaixonar, seu coração pode ser cego, mas você não é. E para amar uma pessoa basta simplesmente não gostar dela. Mais um dia no ônibus, mais um dia na escola. Decidi fazer uma coisa, que vinha querendo a tempos, fui falar com o grande e lindo, que eu sempre admirei. Ele estava na cantina rodeado por meninas, como de costume. Fui com um olhar instigador e um sorriso tímido, nosso diálogo não foi mais do que isso. “Oi.”
“Oi, tudo bem?”
“Tudo e você?”
“Tudo … quer bala?”
“Do que?”
“Canela.”
“Não – eu sempre odiei canela- obrigada.”
Me iludi, ele não gosta de canela, ele não gosta de mim. Posso até estar sendo boba, ao contar isso, mas é verdade. Nunca fui a pessoa mais sensata da vida. Ele nunca me desejou e eu agora não o queria. Mas como sempre, o final do dia outra vez, mais uma viajem, e um acidente de carro. Calma, você já vai entender. Sentei do lado do Lucas, e fomos tagarelando até o meio do caminho. É triste você pensar que nossa viagem nunca foi completa, ele ouvia Fábio Junior, quando a tragédia aconteceu. Um impasse, um farol fechado, o banco da frente e um motorista bêbado. Isso foi o suficiente para acabar com o meu século. Nosso ônibus bateu, e fomos arremessados para longe. Por um milagre, ou seja lá o que tenha sido. Eu ralei meu rosto, e nada de grave me aconteceu. Porém o Lucas se estivesse sentado a um centímetro de distancia de mim, teria tido a mesma sorte. Acho que você já imagina o que aconteceu, posso dizer que nunca mais o vi, a não ser em sonhos. Mais não é isso que me atormenta todas as noites. O que me dói é saber que eu tive escolha, eu tinha aquém amar, e mesmo assim não quis. Antes de partir o Lucas chamou pelo meu novo, e posso te garantir que essa foi a terceira e a ultima vez em que eu ouvi o amor me chamar. Levei as coisas dele para minha casa e encontrei uma carta mal começada dentro dos seus livros, também não tinha um fim. Mas com a letra meio fora de ordem eu sabia que era uma declaração de amor, ele me amava, sim ele me amava. E me senti mal ao saber disso. Sintonizei meu rádio e estava tocando Fábio Junior, a mesma canção. Eu a escutei até o fim, como uma forma de me martirizar. E naquela noite a dor foi tanta, que eu descobri que eu também o amava. Não conversava com estranhos na rua, não escutava música brasileira, odiava bala de canela, e o amor me chamou três vezes." — Bianca Veiga (via s-uplicar)

(via desaparecend-0)


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Paul & Torrey in Paris (May 24, 2012)

Paul & Torrey in Paris (May 24, 2012)

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st3fanie:

quality blog ☼

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Há Algo Errado no Paraíso
- mas afinal, ele nem existe


Sonhamos demais com o paraíso,ou ao menos com uma série de paraísos sucessivos, mas cada um deles é, muito antes de morremos, um paraíso perdido, no qual devemos nos sentir perdidos também. Marcel Proust

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